Comércio de Tatuí faz campanha para quitar dívidas de inadimplentes
quinta-feira, 12 de julho de 2012Um levantamento feito pelo Banco Central aponta que um em cada doze brasileiros não consegue pagar as contas em dia. Esse índice de contas em atraso é o maior dos últimos três anos, conforme o BC.
Só em relação ao atraso de pagamento de financiamento de carros, o número cresceu 6% que a média dos últimos 12 anos, período em que o Banco Central começou a pesquisar. A Associação Comercial de Tatuí (SP) calcula que cerca de 40% dos consumidores que compraram a crédito não conseguiram pagar em dia.
Léia de Oliveira Santos, fiscal de caixa diz que sentiu isso no comércio onde trabalha. “Fazendo um resumo, percebemos que teve um acréscimo aproximadamente de 3% nos atrasos”. A funcionária conta que a loja tomou algumas precausões para evitar o problema. “O que tem contribuído é o crescimento gradativo das vendas no cartão de crédito. Ele oferece uma segurança maior para os lojistas. O que pode se considerar prejudicial é o crediário, mas nós temos alguns critérios de avaliação de liberação que tem ajudado no controle maior da inadimplência”, explica.
A presidente da Associação Comercial da cidade, Lúcia Bonine Favorito, o problema das dívidas acontece por causa do descontrole financeiro, que é favorecido pela oferta de crédito. “O crédito muito facilitado, de 24, 36 e 54 meses, acaba incentivando as pessoas a gastarem mais. Elas não gastam apenas 1/3, como recomendam os especialistas. gastam quase todo o salário nas prestações”, relata.
Percebendo o aumento da inadimplência na cidade, a Associação Comercial criou uma campanha para aqueles que querem quitar a dívida. “Se o devedor vai até a loja para negociar, nós tiramos os juros, Isso é para que haja uma negociação. Mas só valem para lojas pequenas e médias. Os grandes comércios não trabalham dessa forma”, ressalta Lúcia.
A dona de casa Iracema de Almeida Albuquerque aproveitou a oportunidade para limpar seu nome, que acabou parando na lista de pessoas devedoras. “Eu parcelei. Agora pago um pouquinho aqui, outro ali, assim, dou um jeitinho de acertar”, conta a sua dica.
E segundo o economista Wagner de Sousa, esta é a medida correta. Seu conselho é de que os consumidores não comprometam mais de 30% do orçamento mensal com prestações. “Aquelas pessoas que já estão em fase crítica, devem procurar seu agente financeiro e renegociar a dívida. Quem paga 238% de juros, pode tirar um crédito pessoasl com taxa anual de 105%, o que vai acabar reduzindo suas despesas mensais”. O economista avisa. “É muito importante que o consumidor faça o controle do seu orçamento mensalmente”, finaliza.
Fonte: G1
