{"id":716,"date":"2012-12-19T00:18:13","date_gmt":"2012-12-19T02:18:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.encontratatui.com.br\/noticias\/?p=716"},"modified":"2013-08-15T12:38:09","modified_gmt":"2013-08-15T14:38:09","slug":"cururueiros-preservam-a-tradicao-da-musica-de-raiz-em-tatui","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.encontratatui.com.br\/noticias\/cururueiros-preservam-a-tradicao-da-musica-de-raiz-em-tatui\/","title":{"rendered":"Cururueiros preservam a tradi\u00e7\u00e3o da m\u00fasica de raiz em Tatu\u00ed"},"content":{"rendered":"<p>Frases simples, mas rimadas em versos improvisados e em forma de desafio a outros artistas. Assim pode ser definido o cururu, um ritmo musical que faz parte da m\u00fasica caipira brasileira. Em Tatu\u00ed (SP), grupos de violeiros fazem quest\u00e3o de se reunir para cantar o cururu e despertar nos mais jovens o interesse pela m\u00fasica.<\/p>\n<p>De acordo com o cururueiro Gabriel Bueno, a tradi\u00e7\u00e3o deve origem em evento religioso e atravessou gera\u00e7\u00f5es. \u201cCome\u00e7ou em 19916. Os \u00edndios foram os primeiros a cantarem o cururu. Isso acontecia \u00e0s margens do rio Tiet\u00ea, onde aconteceu a primeira pousada do Divino, na Festa do Divino Esp\u00edrito Santo. Eles cantavam versos em sauda\u00e7\u00e3o e louvor em frente ao altar. Era um violeiro e quatro cururueiros na primeira rodada. Ali saudando as imagens, agradeciam o festeiro e o trato que tinham recebido. Terminado isso, seguiam para o sal\u00e3o e cantavam a noite inteira. Sobre aquela \u00e9poca, dizemos que era feito o \u2018cururu s\u00e9rio\u2019. Com o passar do tempo, houve evolu\u00e7\u00e3o. Hoje em dia est\u00e1 um pouco diferente. O cururu \u00e9 mais uma brincadeira de palavras\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>As apresenta\u00e7\u00f5es de cururu s\u00e3o feitas sempre com duas pessoas ou mais e os temas s\u00e3o livres. O estilo caipira de cantar atraiu o violeiro Dorival Mota. Ele conta que conheceu a tradi\u00e7\u00e3o quando ainda era crian\u00e7a e acompanha o pai em evento onde havia apresenta\u00e7\u00e3o desse ritmo musical. \u201cEu ia \u00e0s pousadas do Divino com meu pai. L\u00e1 sempre estavam os cantadores de cururu mais famosos e foi a\u00ed que fiquei apaixonado. Tive certeza de que queria ser um violeiro e cantor de cururu\u201d, comenta.<\/p>\n<p>Mota ainda destaque o acaso que o colocou pela primeira vez em uma festa como m\u00fasico. \u201cEu sempre acompanhava os cururueiros e aprendi a tocar viola. Certo dia houve uma festa em Tatu\u00ed. Os cururueiros convidados eram da cidade de Piracicaba (SP). Acontece que neste evento, o grupo teve algum problema e vieram sem violeiro. Como o pessoal da cidade j\u00e1 me conhecia, acabaram falando que eu sabia tocar e fazer cururu, ent\u00e3o fui chamado. Nesse dia realizei meu sonho e nunca mais parei\u201d, relembra.<\/p>\n<p>Na zona rural da Tatu\u00ed, no bairro Miranda, tem um espa\u00e7o chamado Recanto da Viola, onde grupos antigos de violeiros se re\u00fanem para tocar. H\u00e1 mais de 30 anos eles mant\u00eam a tradi\u00e7\u00e3o e tentam passar a cultura aos filhos e neto. Foi assim que a maior parte dos m\u00fasicos tamb\u00e9m aprendeu a tocar. \u201cMuitos cururueiros j\u00e1 morreram, mas aqui ainda temos gera\u00e7\u00f5es reunidas pela m\u00fasica. Estamos em uma luta para n\u00e3o deixar o cururu ser esquecido. Acho que estamos conseguindo j\u00e1 que a cada reuni\u00e3o o espa\u00e7o fica lotado. \u00c9 muito bom. At\u00e9 antes de morrer, quero ver se ainda canto um versinho\u201d, diz o cururueiro Zacarias Camargo.<\/p>\n<p>Camargo tamb\u00e9m relembra da inf\u00e2ncia. Ele conta que morava em um s\u00edtio e os cantores passavam a cavalo. Isso espertava a curiosidade. \u201cNa \u00e9poca eu era muito menino. Quando estava lidando com o gado observava aqueles \u2018velhos\u2019 passarem cantando e me pergunta o que era aquilo e fui ficando interessado. J\u00e1 nessa \u00e9poca decidi que queria ser igual a eles: lidar com gado e tocar cururu\u201d, revela. O parceiro de m\u00fasica dele, Josu\u00e9 Pereira, complementa: \u201cO cururu deixou na mem\u00f3ria muitas pessoas boas que cantavam. Muitos faleceram e quase a tradi\u00e7\u00e3o morreu com eles. N\u00f3s n\u00e3o podemos deixar sumir essa cultura, por isso, continuamos para incentivar para que os mais novos aprendam como n\u00f3s aprendemos\u201d.<\/p>\n<p><strong>Incentivos<\/strong><br \/>\nH\u00e1 quinze anos, o radialista Aur\u00e9lio Serr\u00e3o mant\u00e9m em seu programa de r\u00e1dio, em Tatu\u00ed, um hor\u00e1rio especial para divulgar a m\u00fasica de raiz. S\u00e3o duas horas de apresenta\u00e7\u00f5es de cururu. O radialista afirma que o programa \u00e9 um local para mostrar o talento de cada um. \u201cEsse programa, transmitido aos domingos, \u00e9 uma vitrine que mostra os valores n\u00e3o s\u00f3 de Tatu\u00ed, mas de todo o estado. O cururu \u00e9 feito do improviso, do que cada mente humana cria dependendo do assunto e reunindo pessoas que duelam em versos trovados. Isso e muito bonito\u201d, diz.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do programa de r\u00e1dio, outra forma de colocar o cururu em evid\u00eancia \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o do Torneio Estadual de Cururu promovido pelo Conservat\u00f3rio Musical da cidade. A \u00faltima edi\u00e7\u00e3o, realizada em novembro, reuniu violeiros e cantores de Boituva, Botucatu, Capela do Alto, Cerquilho, Ces\u00e1rio Lange, Pardinho, S\u00e3o Manoel e Tatu\u00ed. Quatro finalistas disputaram pr\u00eamios de R$ 2.800 em dinheiro.<\/p>\n<p>Segundo o coordenador do festival, Jaime Pinheiro, a iniciativa tem ajudado a fortalecer a express\u00e3o cultural. \u201cTemos observado que o cururu passou a ser reconhecido. H\u00e1 v\u00e1rios artistas realizando apresenta\u00e7\u00f5es em diferentes pontos do Estado de S\u00e3o Paulo, inclusive na Capital\u201d, afirmou Pinheiro.<\/p>\n<p><em>Fonte: G1<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Frases simples, mas rimadas em versos improvisados e em forma de desafio a outros artistas. Assim pode ser definido o cururu, um ritmo musical que faz parte da m\u00fasica caipira brasileira. Em Tatu\u00ed (SP), grupos de violeiros fazem quest\u00e3o de se reunir para cantar o cururu e despertar nos mais jovens o interesse pela m\u00fasica. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-716","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.encontratatui.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/716","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.encontratatui.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.encontratatui.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.encontratatui.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.encontratatui.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=716"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.encontratatui.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/716\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1434,"href":"https:\/\/www.encontratatui.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/716\/revisions\/1434"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.encontratatui.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=716"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.encontratatui.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=716"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.encontratatui.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=716"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}